Resenha Série:
Coisa mais linda
Não sou de escrever sobre séries e filmes que assisto, mas essa série
particularmente me tocou bastante e me fez sentir essa vontade de compartilhar
o que me causou. Pois bem, a série tem como protagonista uma mulher, na década
de 50, recém abandonada pelo marido, que se vê, sem dinheiro, sem apoio, um
filho para cuidar, até aí tudo bem, se não fosse o desejo de vencer na vida e
lutar contra tudo e todos, a personagem tem o desejo de abrir seu próprio
negócio, um clube de música, o que na época era o cúmulo para uma mulher, a
estória se passa no Rio de Janeiro e mostra dentre suas belas paisagens a vida
boêmia da cidade e seus personagens, noitadas, festas e encontros regados a
sexo, muita bebida e cigarros, e o ponto chave: a música, ritmos inebriantes como
jazz, samba e bossa nova, e o melhor, a junção dos três.
Mas fora a música, um ponto que me chamou a atenção foi o comportamento
dos personagens, o elenco principal feito por mulheres, diferentes, bem à
frente do seu tempo, cada uma com um drama de sua vida, lutando contra o
preconceito, questões políticas e sociais como também inúmeros obstáculos, umas
em seu trabalho, outras em suas casas, mas da mesma maneira, uma sociedade
construída por pensamentos machistas, em que mulheres eram limitadas a fazer e
agir conforme seus preceitos e regras, trazendo esses comportamentos para nossa
atualidade me pergunto: será que mudou muito? Ou algumas coisas continuam as
mesmas? Não acredito muito, afinal um País que já tem a quinta maior taxa
de feminicídios entre 84 nações pesquisadas, mesmo possuir diversas políticas
de proteção à mulher – como a Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 2006,
o País ainda convive com rotina de uma mulher morta a cada duas horas[i] , temas assim servem para refletir
como era antigamente, se evoluímos, e se não, o que devemos fazer para mudar
esse quadro alarmante, enfim, me fez refletir, espero que os faça também.
Enfim é uma série muito bem elaborada, com planos de imagens de
encher os olhos, trilha sonora de encher os ouvidos, e estórias de vidas de
tocar o coração, me senti como várias das personagens e quis expor um pouco do
que senti, minha indignação a cada episódio, e vontade também de continuar
lutando bravamente contra a hipocrisia e ações dessa sociedade que dia a dia
insiste em massacrar a mulher, lhe tirando os direitos de conquistar, realizar
seus sonhos como todo e qualquer ser humano.
A estreia da segunda temporada será sexta
(19) de junho, na Netflix, e eu mal posso esperar pra assistir. Afinal,
"A melhor cura para um coração partido? Autoconfiança, amigas
corajosas e bossa nova."
Por Priscila
Saldanha

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